Coordenadores:
Márcio Sônego, Álvaro José Back, Hamilton Justino Vieira. (EPAGRI)
Introdução
Este projeto trata da instalação de um sistema de monitoramento climático no município de Criciúma, como forma de gerar informações meteorológicas a serem utilizados pelos mais diversos setores, com destaque para a Defesa Civil. Por estar inserido em área do sul do Trópico de Capricórnio, e numa posição intermediária entre a Serra Geral e o Oceano Atlântico, o município tem sofrido com intempéries climáticas das mais diversas, desde temporais de verão que causam alagamentos, ventos fortes e descargas elétricas, até o singular evento do furacão Catarina em março de 2004, resultando em prejuízos materiais e ceifando vidas humanas.
O sistema a ser implantado será em parceria com a Epagri/Ciram, instituição do poder público do Estado de Santa Catarina responsável pelos estudos de clima e previsão do tempo e detentor de equipe técnica de reconhecida competência em meteorologia. O sistema contará com uma estação meteorológica automática e quatro estações telemétricas medidoras de precipitação e vazão de cursos d’água, todos conectados à rede de estações da Epagri/Ciram.
Caracterização do problema
O município de Criciúma está localizado ao sul do Trópico de Capricórnio, latitude 28°41’ Sul e longitude 49°37’ Oeste, com altitudes alcançando até 300 metros. O tipo de clima é o subtropical úmido com verão quente (Cfa), pela classificação de Koeppen. A temperatura média anual é 19°C e a precipitação total é 1600 mm, sem estação seca definida. As temperaturas médias mensais variam de 15°C no inverno a 24°C no verão, com possível ocorrência de geada. As chuvas são bem distribuídas ao longo do ano, com totais mensais variando de 80 mm em junho a 200 mm em fevereiro.
A posição subtropical submete o município ao predomínio da massa de ar quente e úmida, de setembro a março, e a massa de ar polar fria e seca, nos meses de inverno. A massa de ar quente e úmida provoca o típico clima de verão, caracterizado pelo forte aquecimento diurno e conseqüente formação de nuvens convectivas, as quais muitas vezes causam temporais com chuva intensa, rajadas de vento e trovoada. Nessas condições é comum acontecerem enxurradas que alagam partes do município de Criciúma, e que se formam em tão curto espaço de tempo que não são detectadas pelos habituais programas de previsão meteorológica. Exemplo disso foram as duas bombas d’água que alagaram o centro da cidade, no final da tarde do dia 01 e 02 de abril de 2007.
Com certa freqüência, a passagem de frentes frias associadas a linhas de instabilidade causam chuva intensa, rajadas de vento e trovoada, podendo também provocar danos materiais no município. Em certos casos a frente fria é associada a um ciclone extratropical de passagem muito próximo ao Litoral Sul de Santa Catarina, os quais geram chuvas intensas por dois ou três dias e inundações, como foi o recente episódio do dias 2, 3 e 4 de janeiro de 2009.
A inundações que acontecem em Criciúma, em especial no centro da cidade, são resultado não só da ação das chuvas intensas como também da expansão urbana que causou a impermeabilização da bacia do Rio Criciúma, sem a devida absorção da água da chuva pelo solo agora coberto pelas construções e sistema viário. Além disso, o leito do rio sofreu a ação antrópica a ponto de correr por debaixo do centro da cidade, na forma de um canal subterrâneo, tendo assim sua vazão extremamente limitada.
O município também sofre com a ação de ventos fortes quer seja em forma de rajadas, tornado ou ciclone. Na tarde de 20 de fevereiro de 2008, rajadas de vento associadas a uma tempestade destruiu uma residência e a cobertura de um posto de combustíveis no Distrito de Rio Maina. O fenômeno foi classificado como “down burst”. Na tarde do dia 3 de janeiro de 2005 foram registrados dois tornados, sendo o primeiro na Grande Santa Luzia e o segundo no Metropol, causadores de destelhamento e destruição parcial e total de casas. Na noite de 27 a 28 de março de 2004 o município sofreu ação do furacão Catarina, com ventos de até 149 km/h como foi registrado na estação do vizinho município de Siderópolis ( Barragem de São Bento).
Apesar da importância que Criciúma detém como pólo regional, não há registro de dados meteorológicos de forma rotineira em seu território. Projetos de engenharia que exigem estudos climáticos prévios do município de Criciúma utilizam dados interpolados das estações de municípios vizinhos como Urussanga, Araranguá e Siderópolis.. Até mesmo a comprovação de eventos climáticos extremos para fins de cobertura de bens assegurados exige o laudo meteorológico no município. Eventos climáticos adversos poderiam ser mais em previstos caso houvesse um sistema de coleta de informações meteorológicas no território de Criciúma, conectado em rede com as estações e o sistema de previsão do tempo da Epagri/Ciram.
E, acima de tudo, o município de Criciúma não tem histórico de dados meteorológicos que sirva de base a estudos de mudanças climáticas e suas conseqüências. A falta de informações meteorológicas em quantidade e qualidade, na América do Sul, foi apontada pelo IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas), como um sério problema na prevenção e mitigação dos efeitos do aquecimento global (IPCC, 2001).
Tendo exposto a problemática acima, torna-se urgente a implantação de um sistema de monitoramento climático no município de Criciúma, capaz de gerar informações em tempo real para o monitoramento e a previsão das condições atmosféricas.
Fundamentação teórica
A variabilidade do clima quer seja na sua forma natural ou causada pelas atividades humanas, tem colocado em risco as populações e seus pertences. Eventos climáticos extremos podem ser previstos com certa antecedência de maneira a permitir a tomada da ação para evitar ou aliviar o dano potencial. As previsões do tempo são elaboradas com base em modelos meteorológicos se utilizando de dados das estações de superfície, satélite e radar (Tucci e Collischonn, 2003). As previsões atuais podem ser de curtíssimo prazo (3 hotas), até sazonal (9 meses), com menos precisão e detalhamento quanto mais longo for o este prazo.
O caso específico das inundações instantâneas causadas por enxurradas é de difícil previsão, pois são fenômenos causados por nuvens convectivas de rápida formação e deslocamento. Faz-se necessário a integração dos dados das estações de superfície, satélite e radar para conseguir ... (TEXTO CORTADO PELO XEROX).
Um modelo de sistema de aviso de inundações instantâneas sugerido por Parker et AL (1994), pode ser visto no quadro a seguir, o qual pode ser utilizado em quaisquer outras situações de risco climático:
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